Mulheres feministas, por que sim! A voz das mulheres no cenário atual

Em 2019 está sendo comemorado os 87 anos da conquista do voto feminino, porém, o que realmente mudou na vida das mulheres desde então e quais os atuais desafios?

Nos dois últimos séculos, as mulheres lutaram como nunca por seus direitos, de voto a presidência de grandes organizações, aos poucos elas foram conquistando espaços que eram predominantemente masculinos. Afinal, ao contrário do que muitos homens pensam o movimento feminista (diferente do machismo), não prega a superioridade, mas luta por respeito e igualdade de direitos.

A luta dos movimentos femininos inclui em seus registros o nome da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Em 1928, esse estado nordestino era governado por Juvenal Lamartine, a quem coube o pioneirismo de autorizar o voto das mulheres em eleições, quatro anos antes do voto feminino ser uma realidade em todo o Brasil.

Foi também uma potiguar a primeira eleitora do país. Celina Guimarães Viana invocou o artigo 17 da lei eleitoral do Rio Grande do Norte, de 1926: “No Rio Grande do Norte, poderão votar e ser votados, sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas por lei”. Em 25 de novembro de 1927 ela deu entrada numa petição requerendo sua inclusão no rol de eleitores do município. O juiz Israel Ferreira Nunes deu parecer favorável e enviou telegrama ao presidente do Senado Federal, pedindo em nome da mulher brasileira, a aprovação do projeto que instituía o voto feminino, amparando seus direitos políticos reconhecidos na Constituição Federal”.

Após Celina Guimarães ter conseguido seu título eleitoral, um grande movimento nacional levou mulheres de diversas cidades do Rio Grande do Norte, e de mais outros nove estados da Federação, a fazerem a mesma coisa. Porém, somente em 24 de fevereiro de 1932, o Presidente Getúlio Vargas através do Decreto nº. 21.076, instituiu o Código Eleitoral Brasileiro, onde o artigo 2 disciplinava que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo.

Luta histórica

Bem antes da conquista do direito ao voto, as mulheres enfrentaram uma série de dificuldades para garantir direitos mínimos. Em 8 de março de 1857, 129 operárias morreram em um incêndio criminoso durante uma greve nos EUA. O acontecimento deu origem ao Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, patrões e policiais colocaram fogo na fábrica têxtil onde elas estavam trancadas, após protestarem contra a jornada excessiva de trabalho e por melhores salários. No Brasil, até 1879 as mulheres eram proibidas de frequentar cursos de nível superior e até o final do século 19, a maioria só tinha acesso ao ensino fundamental.

Cenário atual

As recentes discussões acerca dos novos papéis desempenhados pela mulher e pelo homem não só representam um enorme passo para a conquista feminina como também abrem espaço para debater a importância da mulher na sociedade e na estrutura familiar. Com mais anos de estudos, elas aumentaram sua participação no mercado de trabalho, não dependem financeiramente dos maridos e cada vez mais tem adiado a decisão de casar e ter filhos.

Especialistas em Administração em todo o mundo são categóricos em afirmar que o mundo corporativo caminha para valores mais femininos como a importância do relacionamento, o trabalho em equipe, o uso de motivação e persuasão em vez de ordem e controle, cooperação no lugar de competição. E toda essa teoria parece estar de acordo com as estatísticas sobre o avanço profissional das mulheres, no Brasil e no mundo.

Uma pesquisa recente do IBGE revela que aproximadamente 40% dos empregadores brasileiros são mulheres. Os avanços também são incontestáveis nos cargos de gestão e profissionais liberais, em áreas como medicina, direito, arquitetura e jornalismo – com até 300% de aumento, na participação feminina nas duas últimas décadas. As mulheres representam atualmente mais de 40% da força de trabalho no país.

Hoje no Brasil, a maioria das famílias são chefiadas por mulheres, que lutam diariamente, dentro e fora de casa. Porém, elas ainda recebem uma remuneração em média 30% menor do que os homens, além de enfrentar diariamente o medo – afinal, a cada quatro minutos uma mulher é vítima de agressão e a cada uma hora e meia ocorre um feminicídio (morte de mulher por questões de gênero).

Além disso, mais de 43 mil mulheres foram assassinadas nos últimos 10 anos, a maioria delas pelo próprio parceiro, o que coloca o Brasil como o sétimo país no ranking de assassinato de mulheres entre 84 países. Os números são maiores do que os de todos os países árabes e africanos. A sociedade, o Governo, as instituições e ONGs articulam-se para que as conquistas femininas não fiquem apenas no papel, mas que aconteçam de fato como mais uma forma de igualdade e respeito social.

A voz das mulheres

Cada vez mais artistas e atletas se engajam nos movimentos femininos. É o caso da potiguar Magnólia Figueiredo, primeira norte-rio-grandense a participar de uma Olimpíada e colecionadora de recordes nacionais no atletismo, entre eles o sul-americano de 200 metros em pista coberta. Atualmente, ela é membro atuante do Solidariedade Mulher que tem como principais bandeiras o combate à violência e a igualdade de direitos.

Em manifestação realizada no último dia 10 de março, dentro da programação do Mês da Mulher, a deputada estadual e presidente da Frente Parlamentar da Mulher na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Cristiane Dantas, destacou a importância do engajamento nesses atos. “É fundamental reforçar a necessidade de continuarmos a lutar pelos nossos direitos, para conquistarmos cada vez mais espaço e oportunidades que promovam a igualdade, o combate à violência e ao preconceito”.

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